Capítulo 1 – A busca pelo mestre
Ale era um jovem que gostava muito de estudar, pesquisar e aprender. Trazia no coração um grande sonho: aprender filosofia, tornar-se um filósofo e filosofar sobre a vida.
Perguntava para um, perguntava para outro, procurando saber quem poderia lhe ensinar filosofia. Foi então que alguém lhe disse que, numa chácara, a uns cinco quilômetros da cidade, morava um senhor muito sábio, conhecido como mestre em filosofia.
Ale colocou um caderno e algumas canetas na mochila. Vestiu seu Ray-Ban, pois o sol estava forte, e seguiu caminho. Depois de caminhar por cerca de uma hora, encontrou a chácara que procurava.
Apertou a campainha. Logo apareceu um senhor de cabelos grisalhos, barba bem aparada e olhar sereno.
— Boa tarde. Em que posso ajudá-lo?
— O senhor é o mestre de filosofia?
— Sim. Sou filósofo. Lecionei filosofia em várias universidades pelo mundo. Meu nome é Tales.
— Mestre Tales, eu gostaria de aprender filosofia e me tornar um filósofo.
— Entre. Vamos conversar.
Ao entrar, Ale viu uma pequena biblioteca com estantes cheias de livros, uma mesa com um notebook e folhas cobertas de anotações.
Sentou-se, abriu o caderno, pegou a caneta e esperou a primeira lição.
O mestre sentou-se diante do computador.
E permaneceu em silêncio.
Uma hora se passou.
Então Tales fechou o notebook e disse:
— Por hoje está bom. Vamos tomar uma manga.
Ale respondeu surpreso:
— Mas mestre... nós nem tivemos aula.
Tales apenas sorriu.
— Tivemos, sim. A primeira já começou.
Capítulo 2 – O silêncio do mestre
Antes de Ale ir embora, o mestre disse:
— Amanhã volte no mesmo horário.
No dia seguinte, Ale voltou cheio de expectativa. Tirou o caderno da mochila, pegou a caneta e sentou-se diante do mestre.
Mais uma vez, Tales permaneceu calado, digitando tranquilamente no computador.
Ale coçava a cabeça, olhava para o relógio, mudava de posição na cadeira.
Depois de uma hora, o mestre levantou-se.
— Meu jovem, por hoje está bom. Volte amanhã.
Ale não conseguiu esconder a frustração.
— Mestre, o senhor não me passou nada para eu escrever.
Tales sorriu.
— Calma. Tudo tem sua hora.
Ale voltou para casa sem entender, mas alguma coisa dentro dele começava a mudar
Capítulo 3 – Quando nasce a filosofia
No terceiro dia, Ale voltou no mesmo horário. Colocou o caderno sobre a mesa e permaneceu em silêncio.
A sala tinha uma grande janela aberta para o quintal.
Inquieto, levantou-se e começou a olhar para fora.
Sem perceber, falou em voz alta:
— Que horizonte bonito... Essas montanhas parecem desenhadas. Que árvores lindas! Por que algumas são maiores e outras menores? Por que umas flores são amarelas, outras brancas, outras roxas e outras rosas?
O mestre Tales sorriu.
— Está indo bem... É um bom começo.
Ale voltou à cadeira e, pela primeira vez, abriu o caderno por vontade própria. Começou a escrever aquilo que via, aquilo que sentia e as perguntas que nasciam dentro dele.
Depois de uma hora e meia, Tales disse:
— Meu caro jovem, podemos parar por aqui. Você foi muito bem.
Ale respondeu espantado:
— Como assim? Quase não escrevi nada. O senhor não me ensinou nenhuma lição.
O mestre sorriu com serenidade.
— Engana-se. Hoje você começou a ver. A filosofia não nasce quando alguém entrega respostas. Ela nasce quando alguém aprende a fazer perguntas.
Fez uma pequena pausa e concluiu:
— Você já começou a aprender filosofia. Agora é com você.
Avante... filosofe.
Fim
Alessandro Poeta:Teólogo Biblista e Palestrante

Escrito por
Alessandro Poeta
Poeta, teólogo e comunicador do canal Fé, Versos e Vida em Poesia. Reflexão lírica e bíblica com afeto e serenidade.
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