Ainda por aqui, companheiro, refletindo sobre um dos mandamentos do Decálogo:
“Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão.”
Esse mandamento não fala somente de pronunciar o nome de Deus de qualquer maneira. Ele também nos chama a pensar sobre como estamos usando o nome de Deus e em nome de quais interesses estamos falando de Deus.
Estamos presenciando, em nossos dias, o nome de Deus sendo usado de maneira equivocada, deturpada e distorcida, muitas vezes para defender interesses próprios e conveniências.
No campo político, vemos grupos e líderes estampando o nome de Deus em suas camisas e discursos, enquanto fazem da política instrumento de discriminação, ódio, intolerância e divisão.
Cria-se a lógica do:
“Nós contra eles.”
E o adversário político deixa de ser alguém que pensa diferente e passa a ser tratado como inimigo a ser combatido.
Em nome de Deus, ecoam discursos de moralidade, mas também de violência, hipocrisia e distorção do Evangelho.
Defendem-se armas, guerras, exclusões e discursos que não combinam com a mensagem de Jesus.
Então precisamos fazer uma pergunta séria:
Que Deus estamos anunciando?
O Deus de Jesus Cristo, que acolhe, perdoa, liberta, promove a vida e chama-nos a amar até mesmo aqueles que pensam diferente?
Ou um Deus criado segundo nossos interesses políticos, ideológicos e pessoais?
Talvez uma das grandes questões do nosso tempo seja:
Estamos usando a política para servir à fé e ao bem comum, ou estamos usando a fé para conquistar e conservar poder político?
O nome de Deus não pode ser transformado em bandeira partidária, instrumento de disputa ou justificativa para perseguir quem pensa diferente.
Deus não precisa da nossa guerra contra o outro.
Tomar o nome de Deus em vão também pode significar colocar Deus onde Ele não está e falar em nome Dele aquilo que Ele nunca disse.
Por isso, precisamos discernir.
Nem todo discurso que fala de Deus revela Deus.
Nem toda pessoa que coloca o nome de Deus na boca está falando em nome do Deus do Evangelho.
E talvez seja justamente aqui que o mandamento do Decálogo continua profundamente atual:
Não usar o santo nome de Deus para justificar aquilo que é contrário à vida, à justiça, à fraternidade e ao Evangelho.
É preciso pensar.
É preciso refletir.
É preciso discernir.
Porque o nome de Deus não pode ser instrumentalizado por interesses próprios, mas colocado a serviço da defesa da vida, da promoção humana e da sua dignidade.
Paz e bem
Alessandro Poeta:Teólogo,Biblista e Palestrante.

Escrito por
Alessandro Poeta
Poeta, teólogo e comunicador do canal Fé, Versos e Vida em Poesia. Reflexão lírica e bíblica com afeto e serenidade.
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