Nilceia Eulampioescritora · poetisa
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Justiça Social

Companheiros, paz e bem!

Fiquei refletindo sobre uma fala que ouvi de um padre: "Nesta eleição devemos saber escolher nossos candidatos, pois não podemos deixar o país se tornar comunista." Confesso que...

Imagem de capa: Companheiros, paz e bem!

Fiquei refletindo sobre uma fala que ouvi de um padre: "Nesta eleição devemos saber escolher nossos candidatos, pois não podemos deixar o país se tornar comunista." Confesso que fiquei perplexo. Quando uma pessoa simples repete um discurso sem informação, a gente compreende que muitas vezes falta acesso ao conhecimento.

Mas ouvir isso de um sacerdote, alguém com formação, estudo e responsabilidade diante da comunidade, causa espanto.

O problema não é defender uma posição política, mas transformar o medo em argumento. Em nome do combate ao "fantasma do comunismo", muitas vezes se passa a aceitar o autoritarismo, a intolerância, o enfraquecimento da democracia e retrocessos civilizatórios que a própria história já mostrou serem desumanos.

O fascismo, o nazismo e a barbárie do Holocausto nos lembram até onde discursos de ódio e de medo podem conduzir uma sociedade.

Também é importante distinguir os conceitos. O comunismo nasceu como uma teoria elaborada por Karl Marx e Friedrich Engels para analisar as relações econômicas e sociais. Os regimes que, ao longo da história, se declararam comununistas, tiveram experiências muito diferentes entre si, e há um amplo debate sobre até que ponto corresponderam à teoria original.

Reduzir toda a realidade política ao medo do comunismo empobrece o debate e impede que se discutam os verdadeiros desafios do povo: educação, saúde, trabalho, moradia, justiça e dignidade.

Como cristãos, nosso critério maior não deveria ser o medo, mas o Evangelho. Jesus foi acusado de subversivo porque colocou os pobres no centro, denunciou injustiças, enfrentou os poderosos de seu tempo e anunciou o Reino de Deus. Seguir Jesus não significa aderir a uma ideologia, mas também não significa abençoar qualquer projeto de poder em nome do combate a um inimigo imaginado.

A própria Doutrina Social da Igreja nos oferece um caminho seguro de discernimento. Ela nos ensina que a política é uma forma elevada de caridade quando está a serviço do bem comum, da dignidade da pessoa humana, da solidariedade, da participação e da justiça social. O voto do cristão não pode ser guiado pelo medo de um rótulo, mas pela pergunta essencial: quem defende a vida?

Quem promove a dignidade humana? Quem cuida dos pobres, da criação, da educação, da saúde e da paz?

Talvez o maior perigo para uma sociedade não seja um fantasma criado pelo discurso político, mas quando deixamos de pensar criticamente e permitimos que o medo ocupe o lugar da consciência. O Evangelho não nos chama a escolher pelo pânico, mas pelo discernimento. A verdade liberta. E uma fé madura nunca caminha de mãos dadas com a desinformação, mas com a consciência iluminada pela esperança.

Paz e bem! Alessandro Poeta:Teólogo, Biblista e Palestrante

Alessandro Poeta

Escrito por

Alessandro Poeta

Poeta, teólogo e comunicador do canal Fé, Versos e Vida em Poesia. Reflexão lírica e bíblica com afeto e serenidade.

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